9 de março de 2009

O peão


O peão não foi escolhido ao acaso.


Não foi escolhido por implicar metáforas: uma peça de pouco valor, sacrificável; uma peça menosprezada que se transforma numa peça mais poderosa, etc...
O peão foi escolhido porque é a peça que se move numa só direcção: para a frente.

A vida é uma sequência de eventos e momentos completamente irrepetíveis: não há qualquer forma de voltar atrás.
(Mesmo considerando as hipotéticas viagens no tempo, os eventos não se repetiriam do mesmo modo e a senescência das células estaria sempre presente).
Não há dias iguais aos outros. E mesmo que pareçam iguais não há qualquer garantia de haver um amanhã. Apenas uma probabilidade que se vai reduzindo com o passar do próprio tempo.

Desperdiçar tempo é desperdiçar vida.

De um modo simples, esperar por um elevador é desperdiçar fracções da vida.

Encontro alguma dificuldade em expor o que pretendo expor.

Não quero passar a impressão que devemos transformar os actos banais em actos super-interessantes de forma a optimizar o uso do tempo. Creio que esse é o caminho do esgotamento por obsessão e angústia.
Ou que nem devemos fazer planos, visto que não temos garantias que vamos poder dar continuidade.

A vida é irrepetível.

Não encontro melhor forma de dizer o que quero dizer.

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