12 de junho de 2009

Uma questão de Tempo


Bem, esta poderia ser uma introdução para a raridade de posts por aqui: não tenho tido tempo. Mas esse é o tempo com minúscula, pretendo focar-me no Tempo.

Aquilo a que se convencionou chamar Vida decorre entre dois momentos: o inicial e o final. Desses dois momentos, o inicial está bem determinado; o final não é tipicamente conhecido - salvo algumas situações de infelicidade - mas todos sabemos que está limitado: posso afirmar com alguma certeza que não estarei por cá em 2100 (para dar um exemplo). (Sim, existem pessoas que vivem mais de cem anos, eu sei).

Partindo o Tempo em três pedaços, temos: o período antes da vida, a vida e o período depois da vida. Analisemos.

O período antes da (nossa) vida é aquele que aconteceu antes de termos nascido. Na nossa percepção, esse tempo é como se não tivesse existido. Para nós, e para que o nos interessa, esse tempo foi só um caminho até existirmos. Se demorou muito ou não, não tem relevância.
Claro que para os nossos antepassados desde os nossos pais até aos nossos antepassados no Big Bang, esse tempo vai recursivamente fazendo sentido. (Não é todos os dias que consigo usar a expressão "antepassados no Big Bang"). Mas para nós, não. A bem dizer, demorou apenas um segundo. É o tempo curto.

Relativamente ao período depois da vida - e partindo do princípio de que não voltamos cá, pelo menos como somos hoje - esse tempo também pode ser encarado de um modo distinto. A partir desse momento, o tempo deixa mesmo de fazer sentido. Claro que para quem ficar aqui, o tempo que vivem encontra-se dentro desse nosso período. Mas para nós, acabou. É o tempo longo: nunca mais acabará.

No que diz respeito ao período de tempo da nossa vida, temos várias percepções sobre esse mesmo tempo. Num período inicial, não nos damos conta dele, não temos noção nenhuma do tempo. Nem sequer sabemos o que quer dizer hoje, ontem ou amanhã; o que é um sábado ou daqui a uma semana.
Depois temos um período em que nos vamos apercebendo que o tempo passa, mas parece sempre igual: os amanhãs parecem todos garantidos.
Depois disso, não sei o que se sente. Talvez venha a saber, talvez não.

O que me aconteceu foi que detectei que o problema estava aqui: os amanhãs não são garantidos. Mas agimos a maior parte das vezes como se fossem. Como se um sábado amanhã fosse ser igual ao sábado dali a uma semana. O problema é que não são mesmo.
Neste período, todo o tempo conta.

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