27 de fevereiro de 2009

A resposta da Genética


Esta resposta está à parte da resposta da Ciência, domínio dentro da qual se encontra a Genética.
Segundo a genética, os indíviduos perpetuam-se através da reprodução: os genes vão-se mantendo eternos através dos seus descendentes.


Eu encontro aqui algumas falhas para considerar esta resposta satisfatória.
Em primeiro lugar, é necessário que uma pessoa tenha descendentes (directos ou colaterais como no caso dos sobrinhos, no mínimo).
É necessário também que a descendência continue a gerar descendência. Este facto até pode ser observável por uns anos: se conhecermos os nossos netos (ou sobrinhos-netos) ou até como já começa a ser comum em algumas partes do mundo, conhecer os bisnetos. Mas a longo termo (basta pensarmos numa brevidade cósmica: mil anos) já não temos garantias nenhumas. Quem me garante que terei uma linha directa ou indirecta de descendentes daqui a cem mil anos?
Mas a falha maior assenta no simples facto do descendentes serem pessoas autónomas: ou seja, são outras pessoas que terão precisamente os mesmos problemas. Até a Ciência concordará que se tratam de outras almas.


Estou em dúvida quanto a classificar o nível de satisfatoriedade desta resposta.
Em termos pessoais, como tenho filhas, sinto que me prolonguei no tempo de alguma forma. Mas também não gosto de as ver como uma espécie de propriedade minha, um investimento para o futuro. Isso é muito egoista.

Resumindo, esta resposta é parcialmente satisfatória.

Sobranceria


No post anterior refiro que irei efectuar reflexões futuras. É evidente que isto só pode suceder se eu continuar vivo.

É imperioso que eu diga isto, dado que estou a reflectir sobre as questões da Vida e da Morte.

A resposta menos satisfatória: a científica


A Ciência diz-nos, de um modo geral que:
  • a vida termina completamente com a morte do indivíduo;
  • não existe uma alma imortal, dado que não há provas disso.

Pelo menos é o que dizem as correntes mais científicas da Ciência.

Existem vários graus de morte do indíviduo, e estes estágios vão progredindo até ao ponto em que basicamente está-se mesmo morto (não pretendo entrar pelas discussões sobre eutanásia e similares).

As chamadas experiências de quase-morte (EQM) são explicadas genericamente como uma ilusão criada pelo cérebro, que envia sinais descontrolados e baseadas nas experiências do indivíduo: o cérebro recorre à memória e à criatividade de uma forma similar à de um sonho. Sucede que depois algo faz o cérebro voltar atrás, correspondendo a um acordar.
Dizem os entendidos que na realidade ainda não ocorreu a chamada morte cerebral (o estágio final) pelo que o cérebro ainda funciona.
Existem alguns relatos de situações em que não havia actividade cerebral: aparentemente o cérebro esteve morto durante alguns momentos.
Mais uma vez, a Ciência pode ‘escapar’ desta situação, alegando a sua própria limitação para reconhecer que um cérebro está mesmo morto, em determinados casos. Por exemplo, a não existência de actividade cerebral registada por um Electroencefalograma (EEG) não invalida que possam existir outros sinais de actividade cerebral que a tecnologia actual não consegue detectar.

A favor desta perspectiva está o facto que ainda ninguém regressou da morte, pelo menos num registo aceitável pela ciência. A EQM está explicada pela Ciência dentro dos seus próprios parâmetros e o inexplicável é coberto por um reconhecimento de limitações relacionadas com tecnologia.

Contra esta perspectiva está todo um domínio (religioso, místico) que se encontra fora da própria Ciência, o que limita um pouco a confrontação. É um jogo do gato e do rato, no qual não pretendo entrar pelo menos como tal.

Esta é a resposta menos satisfatória de todas as que existem. E por satisfatória pretendo dizer que é a resposta que não me traz alento nenhum. É extremamente deprimente.

No entanto é a mais observável de todas. Este tema da observabilidade vai dar origem a outras reflexões posteriormente.

26 de fevereiro de 2009

Why so serious?


Ainda vou a tempo de dizer que gosto imenso de rir, adoro rir.

Aliás, se eu estiver a pensar em fundar um culto nos próximos tempos, o meu "catecismo" vai ter lá escrito na primeira página que «as traves mestras do Universo são o Amor e o Humor».

Os problemas da Morte e da Vida



Os principais problemas relacionados com a Morte têm a ver com o sofrimento envolvido e com a angústia que a preceda.

Daí o conceito de morte santa. Algo indetectável e não anunciado.

Não sei (e não desejo mesmo saber) o que sente alguém que tem uma ideia do tempo que lhe resta. Mas sabê-lo com minutos de antecedência deve ser extremamente terrível.

Outro grande problema são os afectos - os laços que temos criados com este mundo e o resto das pessoas - quer pela vertente de nos morrer alguém querido e estimado; quer pela vertente de sermos nós a desaparecer do mundo dos que nos são queridos.

O principal problema da Vida é desperdiçá-la.

Manifesto


Pretendo centrar-me principalmente na questão da vida no planeta Terra; mais concretamente no seu fim (a morte).

Estou munido apenas de uns conhecimentos básicos de ciência, uns conhecimentos básicos de filosofia e a minha educação religiosa (católica).

O que concerne ao post-morte está consideravelmente dentro do nível religioso, tenho a minha opinião (podemos chamar-lhe Fé) e certamente que essas opiniões irão por aqui aparecer.

Procurarei analisar as várias perspectivas, e irei pronunciar-me sobre o grau de satisfação que me dão essas mesmas perspectivas.

Nota: irei escrever as palavras “vida” e “morte” com ou sem maiúscula inicial, sem que isso queira significar a ausência ou a presença de reverência por qualquer uma delas.

O nome da coisa


Já aqui lhe chamei 'duração limitada', 'fim da existência' e 'não-existência'. O seu nome é Morte, é dela que falo.

25 de fevereiro de 2009

As primeiras reflexões


As primeiras reflexões sobre o fim da existência terrena ocorreram-me há longos tempos, sob a forma de uma possível não-existência.

Dei por mim a pensar o que seria se o Universo nunca tivesse existido. E logo surgia um estranho incómodo: o meu cérebro começava a desejar que houvesse qualquer coisa - que corresponderia grosso modo a eu vir a existir. Mas como eu barrava esse caminho, o incómodo avolumava-se.

O assunto dissipou-se. Não sei como deixei de pensar nele, da mesma forma que não sei por que motivo pensei nele.

Pensarmos numa não-existência parece descabido a partir do momento em que se existe.

Apresente-se a situação


No dia 12 de Fevereiro de 2009 fui atingido de um modo fulminante por uma percepção:


A nossa existência no planeta Terra tem uma duração limitada.

Tratou-se realmente de uma mera percepção. Até à data de hoje, estou aparentemente bem de saúde apesar de não ter muito cuidado com ela.

Foi uma sequência de pensamentos que levou a essa percepção. E bem vistas as coisas, trata-se de uma simples constação, demasiado óbvia e facilmente observável por qualquer um. Até esse dia nunca tinha pensado muito no assunto, nem em todas as suas consequências.

E as consequências são imensas...