24 de março de 2009

Algumas propostas


Este blogue não é a Wikipedia - dá para notar dado o pouco aprofundamento dos temas; no entanto costumo passear por lá os olhos para ir vendo uma coisa ou outra.

Deparei-me com o tema da imortalidade (ligação para a versão em inglês). É um conjunto interessante de visões e de propostas.

Acho particular piada ao Mind uploading. Hei-de voltar a este tema.

(Ainda estou vivo)


Tentar enquadrar o Judaísmo com o Cristianismo dá imenso trabalho. Desisto.

13 de março de 2009

Há algum objectivo?


Quer literalmente, quer simbolicamente: eu não quero chegar lá, quero andar por aí...

A vida não pode ser isto


Ouvi no noticiário pessoas a falar de reforma, e o quanto esperavam chegar rapidamente até a essa reforma.

Para além de reflectir o estado das coisas de hoje em dia; para além de ser um facto que certos trabalhos aprisionam; não deixa de evidenciar algo deprimente.
As pessoas estão desejosas que chegue logo a reforma. Fica-me a ideia que se quer acelerar o tempo, e eu não quero pensar assim.
A menos que uma pessoa se consiga 'reformar' de uma outra forma (extraordinária), ansiar pela reforma é desejar caminhar mais depressa para a morte.

Uma resposta algo poética/ingénua


E depois temos uma resposta poética: andamos neste mundo porque sofremos de uma condição humana - existir.


E já que não podemos fazer muito quanto a isso, o melhor é fazê-lo da melhor forma possível: cultivar a nossa felicidade disfrutando da vida o melhor possível e contribuir para a felicidade dos outros (ou de uma forma activa ou evitando chateá-los muito).

É uma resposta cheia de boas intenções... Mas, parafraseando a célebre expressão: é uma resposta com defeitos, no entanto parece-me que é a melhor que temos.

Resumindo


A vida é irrepetível e singular.

Observabilidade


Já aqui mencionei de um modo breve a questão da observabilidade.

E neste domínio parece-me que prevalece de um modo maioritário a resposta da Ciência.
Existirá um domínio reservado às visões pessoais (ou colectivas) que se encontra na Fé.
Existem certamente um conjunto de eventos efectivamente estranhos e não explicáveis pela Ciência (pelo menos, para já).

A mim parece-me que a singularidade da presente vida encontra-se em qualquer resposta que se procure:
  • Ciência: só temos esta vida (ponto final);
  • Existência posterior: (paraíso, outro plano, etc...): essa vida(?) nunca seria esta;
  • Reencarnação: seria outra vida e nunca esta;
  • Repetição, a hipótese de viver outra vez esta vida: ou é precisamente igual ou é vivida de modo diferente.
Em suma: a presente vida é singular.

9 de março de 2009

O sacrifício


Levanto aqui uma outra questão: o auto-sacríficio.


O que leva uma pessoa a pôr em perigo a própria vida para salvar a vida de outras pessoas?
Num momento de perigo, o cérebro instrui todo o corpo para que se preserve: escapar-se, proteger-se, defender-se. Mas, no meio de todas estas instruções rápidas, simples e directas surge um comando que as anula: não fugir, proteger o outro, defender o outro.
De um lado temos o impulso elementares do indivíduo, do outro temos um pensamento elaborado e assente num qualquer sistema de valores.
Será que num prato da balança temos o Medo e no outro prato o Medo de ter medo?

É intrigante.

Durante muito tempo, considerei que morrer para salvar outra pessoa era a Honra Suprema que se podia alcançar.
Depois de ter filhos, passei a pensar que eu talvez não fosse capaz de ser tão altruísta quanto gostava de pensar que era, talvez fosse mais selectivo. Ou seja, no momento em que “o” comando fosse emitido pelo meu cérebro, o meu sistema de valores teria levado em conta a existência das minhas filhas. Lamento, mas não posso afirmar que seria sempre algo incondicional.

Agora - como ainda acho mais intrigante o auto-sacríficio - concluo que qualquer tentativa de racionalização de uma hipotética postura perante este dilema é um exercício fútil.

O suícidio


Uma outra questão ainda: a auto-terminação da vida, o suicídio.

É mais uma daquelas questões em que a minha perspectiva se alterou.

Sempre considerei que alguém que se suicidava devia estar num estado extremo de esmagamento, uma angústia absoluta, algo que nós outros nunca conseguíamos entender. Nunca consegui julgar pessoas que se suicidavam.
Continuo a pensar o mesmo.

O que mudou? Passei a valorizar mais a vida pelo que a angústia me parece ainda maior.

Sobranceria (2)


Este blog será actualizado na medida em que o próprio tema o permitir.

O peão


O peão não foi escolhido ao acaso.


Não foi escolhido por implicar metáforas: uma peça de pouco valor, sacrificável; uma peça menosprezada que se transforma numa peça mais poderosa, etc...
O peão foi escolhido porque é a peça que se move numa só direcção: para a frente.

A vida é uma sequência de eventos e momentos completamente irrepetíveis: não há qualquer forma de voltar atrás.
(Mesmo considerando as hipotéticas viagens no tempo, os eventos não se repetiriam do mesmo modo e a senescência das células estaria sempre presente).
Não há dias iguais aos outros. E mesmo que pareçam iguais não há qualquer garantia de haver um amanhã. Apenas uma probabilidade que se vai reduzindo com o passar do próprio tempo.

Desperdiçar tempo é desperdiçar vida.

De um modo simples, esperar por um elevador é desperdiçar fracções da vida.

Encontro alguma dificuldade em expor o que pretendo expor.

Não quero passar a impressão que devemos transformar os actos banais em actos super-interessantes de forma a optimizar o uso do tempo. Creio que esse é o caminho do esgotamento por obsessão e angústia.
Ou que nem devemos fazer planos, visto que não temos garantias que vamos poder dar continuidade.

A vida é irrepetível.

Não encontro melhor forma de dizer o que quero dizer.

Gustav Eiffel, o Paraíso e a Reencarnação


Voltando ao nosso amigo Eiffel e à sua obra, contemplemos as suas acções à luz das várias “alternativas”, mais especificamente na perspectiva da cobrança da glória.


Se não existir qualquer espécie de vida depois da vida, o assunto termina por definição.

Se existir um Paraíso, qual será a viabilidade de Eiffel andar por lá, apontar para a Torre e proclamar sorridente: “fui eu que a fiz”. Parto do princípio que este Paraíso não é uma mera extensão da vida terrena: ter um emprego, preocupações, etc… isso quase que nos encaminha para uma reencarnação.

E neste caso, se ele reencarnar:
  • não se recorda da vida anterior e não sabe que foi ele que fez a Torre
  • recorda-se da vida anterior, mas terá uma enorme dificuldade em comprovar que foi ele que construiu a Torre
Posto isto, é de reflectir que espécie de obra pretendemos fazer na Terra, e que espécie de Glória procuramos atingir.

Não estou a demitir a existência de um esforço tendo em vista a excelência, ou um exercício de recompensa por satisfação do ego, ou algo do género. Nem pretendo diminuir a importância de fazer algo que impacte na vida de muitos (de um modo positivo, preferencialmente).

Não se trata de um apelo à contemplação do mundo, dos valores simples, etc...

Nesta minha nova visão do mundo e da vida, passei a dar mais importância ao que se faz ou se fará para obter um aumento da Felicidade de todos.

12 de Fevereiro de 2009


De volta a este dia, tenho tentado arranjar um nome para descrever o que me aconteceu.
Não foi uma Iluminação, pois o que vislumbrei foram as trevas.
Não foi uma Revelação, pois não fiquei a saber mais qualquer coisa.
Foi mais um choque com a realidade.

Na essência, o que se pode dizer é que até hoje julgava que o Mundo era Eu.

6 de março de 2009

A resposta teística


Esta perspectiva é, de um modo global e muito genérico, a mais satisfatória de todas.


De entre as várias religiões do mundo, existe uma série delas que pressupõe a existência de alguma forma de vida depois da vida (ou vida depois da morte).
Esta pressuposição existe sob várias formas e modelos: a existência de um paraíso, a reencarnação, um estado superior da alma, etc ...


A questão aqui está em torno da observabilidade da resposta. As religiões recorrem a estruturas explicativas em torno dos chamados milagres, de exercícios de epistemologia, e de experiências pessoais. Neste momento entra a Ciência que tenta explicar os vários fenómenos - encontrando uma outra explicação ou afastando-os como possíveis; ou actua sobre os processos de análise - apontando falhas de raciocínio.

As questões insolúveis pela Religião e pela Ciência têm duas abordagens aparentemente antagónicas mas que me parecem similares: o que a Ciência não consegue explicar justifica com as suas limitações contemporâneas; o que a Religião não consegue explicar justifica-o como parte do seu conteúdo.
Num primeiro momento, a Ciência não inclui e reserva a capacidade de vir a incluir no futuro; a Religião tenta de imediato incluir.

Outro aspecto a não menosprezar na resposta teística tem a haver com a existência de punições: a existência de um inferno, a reencarnação numa vida de sofrimento, a eliminação total da alma, etc ...

A Religião (teística, multi-teística, paganista, etc) não foi apenas um dos primeiros mecanismos utilizados para explicar o funcionamento do mundo; foi também um dos primeiros mecanismos usados para regular uma sociedade. É provável que muitas das considerações utilizadas para regular a sociedade tenham sido projectadas para o post-vida, criando uma verdadeira extensão às regras existentes: quem se porta mal na sociedade tem um castigo na sociedade, mas deve-se também precaver para a continuidade/aplicabilidade do castigo mesmo depois da vida (uma forma de Justiça Divina reservada para as más condutas que não foram observadas durante a vida).

Coloca-se ainda uma questão que tem trazido muitos problemas ao Mundo: qual é a religião correcta? 
É a velha anedota do patriotismo: um certo país é o melhor do mundo porque nós nascemos nesse país. Uma religião é a que está correcta porque nós nascemos no contexto dela ou porque um dia nós determinamos que essa era a religião correcta.
Neste aspecto, e numa opinião pessoal, eu tendo a acreditar num principio geral de Bondade e prática do Bem comum a todos os indivíduos, independentemente da sua religião ou de terem ou não uma religião. Como cristão, custa-me conceber que Deus castigue um ateu (por exemplo) independentemente dos seus actos. É esta a minha visão pessoal.

Na perspectiva da vida presente (a única que tenho conhecimento), a existência de algo depois da vida é reconfortante, mas também impõe algum respeito.

Como referido, esta resposta é genericamente muito satisfatória. É a resposta que eu denomino "I want to believe".

4 de março de 2009

A resposta Ateística


Não consigo dissociar a resposta ateística da resposta científica, por isso considerarei as duas como equivalentes.

Manifesto - actualização


Desconstruir tudo, para depois pegar nos bocados que realmente importam.

Gustav Eiffel ou a resposta da História


Gustav Eiffel (nasceu em 15 de Dezembro de 1832, morreu em 27 de Dezembro de 1927) foi o autor do ícone de Paris: a Torre Eiffel. E já agora, autor de um dos ícones da cidade do Porto: a ponte D. Luis.


Uma visão que temos é que as pessoas vivem para além da morte através das suas obras, da marca que deixam na História da Humanidade.
Ainda hoje nos recordamos de Eiffel, ou de Shakespeare, de Sun-Tzu ou até de Hammurabi, pela sua obra.

Em termos práticos, a vida de Eiffel já terminou. Tecnicamente, a sua obra não o mantém naturalmente vivo: está apenas vivo na memória colectiva.
Entra aqui então o factor que orienta este blog: o Tempo. Se contemplarmos a existência do planeta para um espaço de cem mil anos no futuro, é de questionar se a obra de Eiffel perdurará a ponto de ainda ser recordado. Quem diz cem mil anos, facilmente pode pensar num milhão de anos, espaço de tempo mais do que suficiente para erradicar toda a obra que tem presença na nossa memória contemporânea. (Algo que não é passível de confirmação, por motivos óbvios).
O Tempo fará com que a História não nos deixe vivos por muito tempo.


A questão da obra, ou da marca na História satisfaz enquanto estamos vivos e contemplamos as possibilidades no futuro, mas aparenta ser bastante passageiro.
Recordo-me de Cesário Verde e de que nunca foi reconhecido enquanto era vivo.


A resposta não é satisfatória, daí a citação lá no topo.

Há aqui alguns princípios gerais que não prentendo menosprezar. Vou voltar a eles, mas sob outra perspectiva.