Tivesse nascido Judeu ou Budista, provavelmente teria utilizado Jewish Universalism ou Budhist Universalism.
I don't want to achieve immortality through my work; I want to achieve immortality through not dying. - Woody Allen
19 de junho de 2009
12 de junho de 2009
O Tempo e o Paraíso
Como abordei aqui, há uma fase da nossa vida em que o tempo não faz sentido. Não sabemos o que é o tempo, não fazemos ideia que ele passa: se nos perguntarem em que dia estamos, o máximo que poderemos vir a responder é que estamos em hoje.
Há ainda um outro momento em que o tempo não tem nexo: durante o sono. Adormecemos e quando acordamos, passou algum tempo sem que nos tenhamos apercebido disso (na maior parte das vezes: vamos descartar a ansiedade de acordar com um determinado horário).
Vou combinar os dois aspectos.
Vou fixar aquele período entre o ano de idade e os dois anos - época em que se anda, corre e brinca.
Vou juntar o aspecto do sonho durante o sono (descartar pesadelos).
O que resulta é a minha proposta para uma existência paradisíaca: eternamente crianças, a brincar para sempre com os nossos amiguinhos, num sonho doce e inocente.
Agora é só esperar que Alguém aceite esta minha proposta :)
Reviver o Tempo
Parecido com o que se diz aqui, mas sem termos controlo ou consciência do efeito.
É um tema muito vasto, uma hipótese já várias vezes levantada, relaccionada com Universos Alternativos.
Porém, da mesma forma que não pretendo resolver a questão da Vida e Morte só por ter um blogue sobre o assunto, também não pretendo estar para aqui a dissertar sobre o tema dos universos alternativos :)
Isenção do Tempo
Suponhamos agora que éramos isentos ao tempo - eternos, a bem dizer. Mais uma vez podemos nos deparar com questões de afectos. Como seria vivermos num mundo em que nós ficávamos sempre vivos e os outros iam morrendo?
Se não ainda não foi assim baptizado, aproveito para o fazer: seria o síndrome do Highlander: nunca morrer, e morrerem-nos aqueles que gostamos.
Dado que temos esse poder, podemos alargar o efeito às pessoas que gostamos. O que sucederia então, num mundo onde constantemente são acrescentadas pessoas? Sim, porque iríamos alargando o efeito a netos, bisnetos; os nossos e dos nossos amigos; e dos primos...
Este efeito acaba por ser grosso modo o que é proclamado no Cristianismo com o Paraíso (Céu) e o Paraíso na Terra que sucede à vinda do Redentor e à batalha final entre o Bem e o Mal (se calhar em mais religiões, não sei).
Parar o tempo
Zenão afirmava que o movimento não existia, usando o seu famoso paradoxo. Suponhamos que o tempo não progredia.
Em primeiro lugar existiriam as questões físicas: se o tempo parasse para toda a gente, aconteceria alguma coisa? Não digo isto no sentido auto-explicativo (o tempo parado implica que nada aconteça) mas sim no aspecto de ser necessário que o tempo avance para que haja interacções sub-atómicas, movimento e tudo o que daí decorre.
É o que pode ocorrer em primeiro lugar e imediatamente no último :)
Mas como temos a liberdade para divagar, vamos suspender as nossas crenças e acreditar que era viável haver movimento sem tempo.
Na prática, iríamos cair na situação em que tipicamente vivemos: pensamos que os amanhãs são sempre garantidos, e que tudo vai ocorrer de uma forma parecida.
Voltar atrás no tempo
Caso existisse uma loja de poderes de super-heróis, estou em crer que viajar no tempo seria um dos poderes mais solicitados. E uma das funcionalidades que mais gente pediria seria voltar atrás no tempo para repetir determinadas acções realizadas - o que é ligeiramente diferente de viajar no tempo.
Quantas vezes não dissemos "se eu soubesse o que sei hoje..." ?
Seguramente que já quisémos poder escolher um dia para regressar e tomar decisões diferentes das que tomámos da primeira vez. Emendar o que um dia correu mal (algo que este senhor aqui faz).
No entanto, a ironia da passagem do tempo é que nos vão ocorrendo também outras situações que não gostaríamos que fossem de todo desfeitas, e que se encontram no meio do caminho.
Pessoalmente, existem certos eventos na minha vida que gostaria que tivessem ocorrido de outra forma: fazer o que não fiz; desfazer o que fiz; evitar o que veio a acontecer;... Mas a oportunidade de os "remediar" seria também uma forma de destruir o que de bom já me ocorreu. É fácil de pensar em alguns casos, e os mais evidentes são as minhas filhas.
Mesmo que pudesse ir alterar coisas no passado, e estivesse ciente do que teria que fazer de novo para voltar a ter o que tenho hoje, o surgimento destas pessoas é um momento único na minha vida.
É único no sentido em que é irrepetível, seja qual for a direcção do tempo.
Direcções do Tempo
Uma questão de Tempo
Bem, esta poderia ser uma introdução para a raridade de posts por aqui: não tenho tido tempo. Mas esse é o tempo com minúscula, pretendo focar-me no Tempo.
Aquilo a que se convencionou chamar Vida decorre entre dois momentos: o inicial e o final. Desses dois momentos, o inicial está bem determinado; o final não é tipicamente conhecido - salvo algumas situações de infelicidade - mas todos sabemos que está limitado: posso afirmar com alguma certeza que não estarei por cá em 2100 (para dar um exemplo). (Sim, existem pessoas que vivem mais de cem anos, eu sei).
Partindo o Tempo em três pedaços, temos: o período antes da vida, a vida e o período depois da vida. Analisemos.
O período antes da (nossa) vida é aquele que aconteceu antes de termos nascido. Na nossa percepção, esse tempo é como se não tivesse existido. Para nós, e para que o nos interessa, esse tempo foi só um caminho até existirmos. Se demorou muito ou não, não tem relevância.
Claro que para os nossos antepassados desde os nossos pais até aos nossos antepassados no Big Bang, esse tempo vai recursivamente fazendo sentido. (Não é todos os dias que consigo usar a expressão "antepassados no Big Bang"). Mas para nós, não. A bem dizer, demorou apenas um segundo. É o tempo curto.
Relativamente ao período depois da vida - e partindo do princípio de que não voltamos cá, pelo menos como somos hoje - esse tempo também pode ser encarado de um modo distinto. A partir desse momento, o tempo deixa mesmo de fazer sentido. Claro que para quem ficar aqui, o tempo que vivem encontra-se dentro desse nosso período. Mas para nós, acabou. É o tempo longo: nunca mais acabará.
No que diz respeito ao período de tempo da nossa vida, temos várias percepções sobre esse mesmo tempo. Num período inicial, não nos damos conta dele, não temos noção nenhuma do tempo. Nem sequer sabemos o que quer dizer hoje, ontem ou amanhã; o que é um sábado ou daqui a uma semana.
Depois temos um período em que nos vamos apercebendo que o tempo passa, mas parece sempre igual: os amanhãs parecem todos garantidos.
Depois disso, não sei o que se sente. Talvez venha a saber, talvez não.
O que me aconteceu foi que detectei que o problema estava aqui: os amanhãs não são garantidos. Mas agimos a maior parte das vezes como se fossem. Como se um sábado amanhã fosse ser igual ao sábado dali a uma semana. O problema é que não são mesmo.
Neste período, todo o tempo conta.
2 de junho de 2009
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