De entre as várias religiões do mundo, existe uma série delas que pressupõe a existência de alguma forma de vida depois da vida (ou vida depois da morte).
Esta pressuposição existe sob várias formas e modelos: a existência de um paraíso, a reencarnação, um estado superior da alma, etc ...
Esta pressuposição existe sob várias formas e modelos: a existência de um paraíso, a reencarnação, um estado superior da alma, etc ...
A questão aqui está em torno da observabilidade da resposta. As religiões recorrem a estruturas explicativas em torno dos chamados milagres, de exercícios de epistemologia, e de experiências pessoais. Neste momento entra a Ciência que tenta explicar os vários fenómenos - encontrando uma outra explicação ou afastando-os como possíveis; ou actua sobre os processos de análise - apontando falhas de raciocínio.
As questões insolúveis pela Religião e pela Ciência têm duas abordagens aparentemente antagónicas mas que me parecem similares: o que a Ciência não consegue explicar justifica com as suas limitações contemporâneas; o que a Religião não consegue explicar justifica-o como parte do seu conteúdo.
Num primeiro momento, a Ciência não inclui e reserva a capacidade de vir a incluir no futuro; a Religião tenta de imediato incluir.
Outro aspecto a não menosprezar na resposta teística tem a haver com a existência de punições: a existência de um inferno, a reencarnação numa vida de sofrimento, a eliminação total da alma, etc ...
A Religião (teística, multi-teística, paganista, etc) não foi apenas um dos primeiros mecanismos utilizados para explicar o funcionamento do mundo; foi também um dos primeiros mecanismos usados para regular uma sociedade. É provável que muitas das considerações utilizadas para regular a sociedade tenham sido projectadas para o post-vida, criando uma verdadeira extensão às regras existentes: quem se porta mal na sociedade tem um castigo na sociedade, mas deve-se também precaver para a continuidade/aplicabilidade do castigo mesmo depois da vida (uma forma de Justiça Divina reservada para as más condutas que não foram observadas durante a vida).
Coloca-se ainda uma questão que tem trazido muitos problemas ao Mundo: qual é a religião correcta?
É a velha anedota do patriotismo: um certo país é o melhor do mundo porque nós nascemos nesse país. Uma religião é a que está correcta porque nós nascemos no contexto dela ou porque um dia nós determinamos que essa era a religião correcta.
Neste aspecto, e numa opinião pessoal, eu tendo a acreditar num principio geral de Bondade e prática do Bem comum a todos os indivíduos, independentemente da sua religião ou de terem ou não uma religião. Como cristão, custa-me conceber que Deus castigue um ateu (por exemplo) independentemente dos seus actos. É esta a minha visão pessoal.
Na perspectiva da vida presente (a única que tenho conhecimento), a existência de algo depois da vida é reconfortante, mas também impõe algum respeito.
Como referido, esta resposta é genericamente muito satisfatória. É a resposta que eu denomino "I want to believe".
1 comentário:
No meu ponto de vista, esta é a única resposta minimamente satisfatória, uma vez que permite esperar que nem tudo acabe definitivamente em pó.
O meu problema pessoal é conseguir perceber se realmente acredito nela. Tenho fases.
De qualquer modo, acho que não faz mal a ninguém comportar-se como se isso fosse realmente verdade, e houvesse realmente um Deus que é Amor, que nos acolherá no seu abraço e que ficará muito feliz pelas nossas boas acções em vida e muito triste pelas más acções. Pode até ter o condão de tornar a vida terrena mais satisfatória, independentemente de existir outra depois dessa...
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